Conte para o Intelecto

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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Bolhas de sabão.


















(André Vilela)

Vagante como bolhas é meu coração
Diferente das bolhas preenchidas de vento
Meu coração tem o amor como preenchimento
Amor que não se desfaz como bolhas de sabão

Amor que de tanto amar virou canção
Melódica a se dançar a par
Com mãos dadas flutuar
Como as bolhas de sabão

sábado, 28 de julho de 2012

Tão incerta.


(André Vilela)
Minha pequena, teu pecado é a incerteza
Hoje tu amas, amanha não mais
Por isto padeço na tristeza
De tuas mentiras reais
Não sei como não te amarga o peito
Ao fazer a vida uma cabra cega
Ao compor teu pior defeito
E reger essa tola entrega

Minha pequena, teu pecado é a incerteza
Meu pecado é remar contra a maré
Teu nome é correnteza
Meu nome é fé

sábado, 19 de maio de 2012

Cai tua vida.



(André Vilela)


O que bate no teu peito não é inteligível
Místicos e insensatos sortilégios
Devaneios e sacrilégios
Mostram-te muito mais do que insensível

Tua vida cai em cada escolha errada
Quiçá um dia você tire dos olhos estas escamas
E vedes quem te ama
Tantas que quedas te fazem difamada

Tua vida cai em cada sofrimento
Cada incerteza é uma ferida
Cada lagrima que cai, cai ainda mais tua vida
Isto te faz vazia de sentimentos

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Revestida de silêncio e escuridão

(André Vilela)

Poesia caracteristica da 2º geração do Romantismo,
conhecida como Bayronista.

Quando em meu peito rebentar-se a fibra
Que o espirito enlaça à dor vivente
Azevedo























Olhos esverdeados que te pertencem
Traduzem seus amores reprimidos
Como os meus que me entorpecem
A não serem por ti correspondidos

Revestida de silêncio e escuridão
Lua tímida da noite acanhada
É você mulher da minha razão
Faze-me no peito uma dor enraizada

Em desejo quero-te em carne gozo e ternura
Por Deus temo padecer a morte errante
Contenho-me a que em nome do amor não faça loucura
Para não ser consumido pelo fogo incessante

Venha bater em minha porta o descanso
Erradicando esta maldita solidão
E meu coração assim pare manso
Sepultando tudo a sete palmos do chão

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Caminho.


(André Vilela)

Incógnita estrada que balbucio
Escoltado pela razão antagônica
Entre trevas e pedras que desvio
Tento chegar à certeza harmônica

Em terras distantes e galáxias andei
Me conheci mesquinho sozinho
E aos céus piedade de mim clamei
Para não padecer nesse descaminho

Meu trajeto é como de um barco a vela
Que o vento sopra sem destino
E o destino me move a manivela
Contento-me com esse desatino

Minha bússola cansada e desordenada
Apontava não só para um lado
Parou completamente enfadada
Perdi-me e não sou achado

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Cão.



(André Vilela)
Pobre infeliz que sou
Meu dono me largou
Nasci indefeso
O acaso meu deu o desprezo

Tenho fome e sou sarnento
Me repouso no cimento
Essas feridas me matam de dor
E ainda me olham com rancor

Rancor de eu estar no caminho
Abano o rabo por carinho
E me chamam de pulguento
São todos pobres de espírito, sem sentimentos!


A morte me chama em cada esquina
A rua é minha sina
Sou apenas um cão
Que no lixo procura um pedaço de pão

sábado, 5 de novembro de 2011

Enfermiço romanesco


(André Vilela)


Você me consome com sua feminilidade
De amor eu vivo sempre enfermiço
Deduzo que seja esse teu feitiço
Que me faz te amar com vontade

Teus olhinhos tímidos quixotescos
Lábios que me perco ainda sedento
E que me falta o alento
E me faz cada dia mais romanesco

Só temo ser um personagem efêmero
Que ocupa poucas linhas da sua história
Sem cheias paginas notórias
Temo não ser do seu gênero

É merecedora de mesuras
Com ímpeto de rainha
Teme eternizar-se sozinha
A solidão cobra muitas usuras