Conte para o Intelecto

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sábado, 19 de maio de 2012

Cai tua vida.



(André Vilela)


O que bate no teu peito não é inteligível
Místicos e insensatos sortilégios
Devaneios e sacrilégios
Mostram-te muito mais do que insensível

Tua vida cai em cada escolha errada
Quiçá um dia você tire dos olhos estas escamas
E vedes quem te ama
Tantas que quedas te fazem difamada

Tua vida cai em cada sofrimento
Cada incerteza é uma ferida
Cada lagrima que cai, cai ainda mais tua vida
Isto te faz vazia de sentimentos

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Revestida de silêncio e escuridão

(André Vilela)

Poesia caracteristica da 2º geração do Romantismo,
conhecida como Bayronista.

Quando em meu peito rebentar-se a fibra
Que o espirito enlaça à dor vivente
Azevedo























Olhos esverdeados que te pertencem
Traduzem seus amores reprimidos
Como os meus que me entorpecem
A não serem por ti correspondidos

Revestida de silêncio e escuridão
Lua tímida da noite acanhada
É você mulher da minha razão
Faze-me no peito uma dor enraizada

Em desejo quero-te em carne gozo e ternura
Por Deus temo padecer a morte errante
Contenho-me a que em nome do amor não faça loucura
Para não ser consumido pelo fogo incessante

Venha bater em minha porta o descanso
Erradicando esta maldita solidão
E meu coração assim pare manso
Sepultando tudo a sete palmos do chão

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Caminho.


(André Vilela)

Incógnita estrada que balbucio
Escoltado pela razão antagônica
Entre trevas e pedras que desvio
Tento chegar à certeza harmônica

Em terras distantes e galáxias andei
Me conheci mesquinho sozinho
E aos céus piedade de mim clamei
Para não padecer nesse descaminho

Meu trajeto é como de um barco a vela
Que o vento sopra sem destino
E o destino me move a manivela
Contento-me com esse desatino

Minha bússola cansada e desordenada
Apontava não só para um lado
Parou completamente enfadada
Perdi-me e não sou achado

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Cão.



(André Vilela)
Pobre infeliz que sou
Meu dono me largou
Nasci indefeso
O acaso meu deu o desprezo

Tenho fome e sou sarnento
Me repouso no cimento
Essas feridas me matam de dor
E ainda me olham com rancor

Rancor de eu estar no caminho
Abano o rabo por carinho
E me chamam de pulguento
São todos pobres de espírito, sem sentimentos!


A morte me chama em cada esquina
A rua é minha sina
Sou apenas um cão
Que no lixo procura um pedaço de pão

sábado, 5 de novembro de 2011

Enfermiço romanesco


(André Vilela)


Você me consome com sua feminilidade
De amor eu vivo sempre enfermiço
Deduzo que seja esse teu feitiço
Que me faz te amar com vontade

Teus olhinhos tímidos quixotescos
Lábios que me perco ainda sedento
E que me falta o alento
E me faz cada dia mais romanesco

Só temo ser um personagem efêmero
Que ocupa poucas linhas da sua história
Sem cheias paginas notórias
Temo não ser do seu gênero

É merecedora de mesuras
Com ímpeto de rainha
Teme eternizar-se sozinha
A solidão cobra muitas usuras

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Menina Moça


(André Vilela)
[Poesia escrita no ponto de vista feminino]

Meus olhos vêem um mundo singelo
Descubro minhas correntes
Desato meus elos
E me mantenho concreta e inocente

O amor ainda é um caminho que desconheço
E a paixão velha amiga
Madura quando me amanheço
E o novo me instiga

E eu que me vi no espelho criança
Hoje metamorfose do tempo
Lembro das danças de roda, e meu cabelo com trança
Agora meu futuro invento

De boba a menina moça
Forte com minha fraqueza
Alma frágil de louça
Guerreira mas nobreza

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Você é


(André Vilela)

Você é osso duro de roer

Meu coração só vai endoidecer

Por que você não quer me namorar

Você é dura na queda

Meu coração se embebeda

Por que cansou de te esperar

Você é santa do pau oco

Meu coração fica louco

Por que você só sabe me tentar

Você não Maria, mas é cheia de graça

Meu coração te chama de palhaça

Por que você sabe me esnobar